Quando você inscreve seu filho pequeno no Clube de Aventureiros, ele entra numa história que tem pouco mais de três décadas no Brasil — e um começo surpreendentemente caseiro. Antes de virar um programa oficial com bandeira, uniforme e currículo próprio, os Aventureiros começaram como uma resposta prática de líderes que perceberam uma lacuna: as crianças menores de dez anos ficavam de fora enquanto os irmãos mais velhos marchavam nos Desbravadores. Este texto reúne os marcos verificados dessa chegada e do crescimento na Divisão Sul-Americana (DSA), com as fontes oficiais e, onde os números divergem, dizendo isso com honestidade.

De onde vieram os Aventureiros

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A ideia de um clube pensado especificamente para crianças pequenas não nasceu no Brasil. Segundo o portal oficial da Igreja Adventista, a primeira tentativa de criar um programa para crianças menores de dez anos aconteceu em 1972, em Washington (EUA), sob a direção de Carolee Riegel. Foi um projeto local e experimental, muito antes de existir qualquer estrutura mundial.

O amadurecimento veio quase duas décadas depois. Em 1988, a Divisão Norte-Americana convocou associações e especialistas em ministério infantil para estudar a oficialização da ideia. Em 1989, uma comissão atualizou o currículo e as Classes foram oficializadas; em 1990 rodou o plano piloto nos Estados Unidos. Só em 1991 a Associação Geral autorizou os Aventureiros como programa mundial, definindo objetivos, currículo, bandeira, uniforme e ideais.

Ou seja: quando o programa se tornou oficial para o mundo inteiro, o Brasil estava a poucos meses de organizar o seu primeiro clube — e, como você vai ver, já vinha ensaiando a ideia por conta própria.

AnoMarco oficial
1972Primeiro programa para crianças menores de 10 anos, em Washington (EUA), sob Carolee Riegel
1988Divisão Norte-Americana convoca associações para estudar a criação oficial
1989Comissão atualiza o currículo e as 4 Classes são oficializadas
1990Plano piloto nos Estados Unidos
1991Associação Geral autoriza como programa mundial (ideais, bandeira, uniforme)

Linha do tempo mundial, conforme o portal adventistas.org.

A chegada ao Brasil

A história brasileira tem nome e endereço. Na IASD Cidade Dutra, em São Paulo, a líder Elizabete Cardoso trabalhava com o Clube de Desbravadores e percebeu que faltava algo para as crianças pequenas. A partir de 1986, ela começou a adaptar as classes preliminares dos Desbravadores para essa faixa etária, numa iniciativa informal apelidada de "Desbravadores Mirins" — sem saber que, do outro lado do mundo, os Aventureiros já estavam sendo estruturados.

Quando o manual oficial chegou, em 1991, aquela experiência caseira foi reconhecida como o primeiro Clube de Aventureiros organizado do Brasil, com o nome Soldados do Rei. Elizabete Cardoso é lembrada como a pioneira do ministério no país. Em 2016, o clube celebrou 25 anos, o que confirma o marco de 1991 como o ano de fundação oficial.

Vale registrar uma imprecisão honesta: as fontes convergem no ano (1991), mas o dia exato aparece de formas ligeiramente diferentes em relatos secundários. O que é seguro afirmar é o ano, o local e a pioneira.

Ela adaptou as classes dos Desbravadores para os pequenos — sem saber que os Aventureiros já existiam no mundo.Sobre a origem do primeiro clube brasileiro

O detalhe bonito dessa história: o clube do seu filho não veio de um decreto de cima para baixo. Nasceu de uma líder que olhou para as crianças que sobravam nas atividades e decidiu criar algo para elas.

O crescimento na Divisão Sul-Americana

De uma igreja em São Paulo, o ministério se espalhou por toda a Divisão Sul-Americana — que reúne oito países (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai). O crescimento foi consistente: em 2018, a Igreja informava mais de 130 mil aventureiros na região; em 2022, o número já passava de 160 mil.

Os dados mais concretos e recentes que encontramos em fonte oficial são de junho de 2022, quando a Divisão comemorou meio milhão de membros somando os dois clubes: 162.635 aventureiros em 8.607 clubes, ao lado de 346.437 desbravadores. Como esses balanços costumam contar Aventureiros e Desbravadores juntos, é fácil ver números diferentes dependendo do recorte e do ano.

Por isso, se você encontrar por aí uma cifra diferente (há estimativas que falam em quase 10 mil clubes ou perto de 190 mil crianças), trate com cautela: os totais mudam a cada ano e nem sempre a fonte é rastreável. O número que damos aqui é o que conseguimos verificar em publicação oficial da Igreja.

Ano (fonte)Clubes de Aventureiros (DSA)Participantes
2018 (Notícias Adventistas)não especificadomais de 130.000
2022 (Notícias Adventistas)8.607162.635

Os números da DSA variam por ano e por fonte; confirme sempre a cifra mais atual com a sua União ou Associação.

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Como o clube se organiza hoje

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O Clube de Aventureiros na DSA atende crianças de 6 a 9 anos, organizadas em quatro Classes regulares, uma para cada idade. A criança avança de classe a cada ano, conquistando distintivos e especialidades ao longo do caminho. Aos 10 anos, geralmente vive o ano de transição rumo aos Desbravadores.

Essas quatro classes foram justamente parte do que se oficializou em 1989 e chegou ao Brasil no pacote de 1991. Elas dão a espinha dorsal do programa: cada faixa etária tem objetivos próprios de fé, natureza, saúde, serviço e convivência, sempre com forte participação da família.

ClasseIdade
Abelhinha Laboriosa6 anos
Luminar7 anos
Edificador8 anos
Mãos Ajudadoras9 anos

As 4 Classes regulares dos Aventureiros na Divisão Sul-Americana; aos 10 anos vem a transição para os Desbravadores.

Os ideais que chegaram junto

Quando o programa foi autorizado mundialmente em 1991, ele veio com um conjunto de ideais — e é aqui que vale um cuidado especial, porque as versões variam. Na Divisão Sul-Americana, o Voto do Aventureiro é: "Por amor a Jesus, farei sempre o meu melhor". A Lei, na versão adotada na DSA, se resume em cinco virtudes: "Jesus me ajuda a ser obediente, puro, reverente, bondoso e colaborador".

Fora da Divisão Sul-Americana, é comum encontrar uma versão da Lei com dez itens, e há diferenças de tradução para Alvo e Lema entre regiões e materiais. Não são erros — são versões diferentes usadas em contextos diferentes. Se você viu um cartaz ou vídeo com um texto que não bate com o do clube do seu filho, provavelmente é uma dessas variações.

A recomendação prática é simples: siga sempre o material oficial da sua União e confirme com o diretor do clube qual é a versão em uso na sua região.

As fontes divergem no número de virtudes da Lei (5 na DSA, 10 em outras regiões) e em detalhes de tradução. Trate a versão do seu clube como a referência local e confirme com o diretor.

O lugar dos Aventureiros hoje — e o próximo passo

Passadas mais de três décadas, os Aventureiros deixaram de ser uma experiência de uma igreja para se tornarem um ministério maduro, com dezenas de milhares de crianças reunidas todo fim de semana na Divisão Sul-Americana. O propósito, porém, continua o mesmo daquele começo em São Paulo: dar às crianças pequenas um espaço próprio de fé, amizade e desenvolvimento, com a família bem no centro.

Para o seu filho, esse é o primeiro degrau de uma jornada que costuma seguir rumo aos Desbravadores aos 10 anos. Se você quer entender melhor as diferenças entre os dois clubes antes de decidir, vale a leitura do comparativo. E se já sabe que é a hora de começar, o passo seguinte é encontrar um clube adventista perto de você e conversar com a diretoria.

O propósito continua o mesmo de 1986: um espaço próprio para as crianças que ficavam de fora.Sobre o sentido do ministério hoje